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Assistimos à apresentação da Dr. Maria José Loureiro acerca do tema “Escrita Académica”,  introduzida no sentido de nos guiar na escrita do artigo científico a apresentar no fim do semeste.

Começámos por analisar um texto produzido por um colega em contexto académico e tentámos encontrar incorrecções/desajustes relativamente àquilo que se espera de um texto académico. Depois foi desenvolvido o conceito da própria escrita, e discutido o seu importante papel de estruturação do pensamento. Foram ainda identificadas as três etapas da actividade da escrita, em geral, e da escrita académica em particular: planeamento, textualização e revisitação.

Fomos alertados para pontos essenciais a ter em mente aquando da escrita de um artigo, como por exemplo a necessidade de manter, apesar da formalidade exigida, a sobriedade do discurso, dado que o objectivo primordial deste tipo de documentos é divulgar e informar, não podendo nunca ser comprometida a clareza. Finalmente, fizémos um pequeno exercício em que nos era pedido que completássemos um texto com conectores, no sentido de desenvolver a capacidade de interligação de ideias.

Esta aula revelou-se  útil para assentar algumas ideias-chave a ter presentes na elaboração do Artigo, e permitir-me-á, decerto, evitar alguns erros.

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Na aula de Didática desta semana observámos o vídeo de uma apresentação da Dr. Filomena Teixeira acerca da presença das temáticas de sexualidade e género nos media (jogos de computador, novelas, revistas), mas sobretudo na publicidade. Vimos que estas temáticas são largamente usadas pelos publicistas para vender os seus produtos, incluindo por vezes, implicitamente, preconceitos sexistas.

Foi ainda abordada a questão da Educação Sexual das Escolas e as problemáticas a ela associadas. Nomeadamente, os constrangimentos que estes temas continuam a suscitar em alguns pais e alunos (por exemplo devido a questões religiosas, como no caso dos alunos muçulmanos), e mesmo nos próprios professores, que se defendem optando por vezes por uma abordagem meramente biológica da sexualidade, ou chegando mesmo a protelar estes conteúdos para o final do ano lectivo, ignorando-os se o tempo escassear.

Não creio que esta temática seja muito relevante para o exercício lectivo, a não ser como formação de base, no sentido de educar para a igualdade entre géneros. Este estudo talvez pudesse ser usado como reflexão acerca dos preconceitos sexistas que a sociedade continua a promover, ainda que muitas vezes de forma subtil, junto dos alunos do secundário; porém, creio que não se adequa propriamente a uma aula de Ciências, a não ser, como referi, no que diz respeito à transmissão de valores igualitários, que é transversal a todas as disciplinas.

Penso que teria sido mais interessante se a aula tivesse sido direccionada para a integração dos valores em Ciências. Assim como determinados “valores” estão implícitos na publicidade e exercem, segundo afirmam os especialistas, efeitos efectivos sobre o nosso subconsciente, talvez também a inclusão implícita de valores positivos nas actividades da sala de aula (é já comum encontrar, por exemplo, questões orientadoras dos conteúdos programáticas com manifestas preocupações ecológicas – ver anexo) possa, sugiro eu, actuar sobre os alunos, e contribuir para desconstruir concepções descriminatórias.

Anexo

Transcrevo dois exemplos de questões em física onde estão integradas as preocupações ecológicas:

(A) Descreva de que forma é que a poluição  pode afectar a capacidade de comunicação de um pássaro;
(B) Explique porque é que os pássaros da cidade tendem a alterar o tom do seu canto;
Bibliografia
Houle, M. E., & Barnett, G. M. (2008). Students’ Conceptions of Sound Waves Resulting from the Enactment of a New Technology-Enhanced Inquiry-Based Curriculum on Urban Bird Communication. J Sci Educ Technol(17), 242–251.
 
 

 

A aula de TIC foi dedicada aos sensores. 

Estes foram utilizados ao longo de uma série de “estações laboratoriais” em que nos era pedido que identificássemos qual de duas águas (água A e água B) era a água potável e qual a água contaminada. Utilizando sensores de temperatura,  de pH e de oxigénio, tentámos encontrar diferenças entre as duas amostras. Porém, estas não se revelaram significativas para tirar conclusões.

Os sensores não foram, de facto, uma novidade para mim: nas aulas laboratoriais de Química da licenciatura era bastante comum a utilização de sensores para aferir o pH de soluções.

Estes instrumentos são efectivamente vantajosos para fins pedagógicos, pela sua fácil utilização e porque a leitura digital dos  valores permite reduzir o erro introduzido pelo utilizador, se comparada com a leitura analógica.

Apesar destas vantagens, existe, a meu ver, uma desvantagem importante associada a estes instrumentos: o efeito de “caixa negra”. Isto é, o fenómeno físico associado à medição está camuflado, desaparece. No caso do termómetro, por exemplo, a variação de volume do mercúrio e a variação da temperatura são relacionados para produzir o intrumento de medida, e esta dependência é visível.  Contrariamente, no caso dos sensores, não se sabe qual a entidade/fenómeno sensível à propriedade em estudo, e pode criar-se nos alunos a ideia de que o que se passa “dentro” do sensor está para lá da sua compreensão.

Creio que há assim que começar por familiarizar os alunos com o intrumento, tendo o cuidado de que estes percebam de facto como é que este funciona, não só na óptica do utilizador, mas também na óptica do “cientista”. Relativamente à primeira, “perder” uns minutos explicando bem todos os passos de utilização é essencial; caso contrário, é possível que a preocupação central dos alunos durante a actividade laboratorial seja a de compreender o funcionamento do sensor e do software que lhe está associado, quando deveria estar direccionada para a resolução do problema laboratorial – o que reverteria toda a função do intrumento, que  se pretende seja um meio e não um fim.

Na aula de Didática desta semana falámos sobre o ‘trabalho prático’ no ensino das Ciências e vimos que esta designação compreende actividades tais como o trabalho laboratorial, o trabalho experimental e o trabalho de campo.

Vimos que os docentes com concepções atomistas de ciência tendem a valorizar muito o trabalho experimental, o domínio das técnicas, a execução de medições e controlo de variáveis, e que os docentes com um visão integracionista da ciência, por outro lado,  utilizam a actividade experimental enquadrando-a e tendo sempre em vista a utilidade prática desta na vida.

Ainda, distinguimos entre a resolução de problemas e a resolução de exercícios, noções comumente tidas como sinónimas: se a última passa sobretudo pela resolução de exercícios fechados e execução de tarefas, a primeira admite várias soluções e várias estratégias de resolução.

Abordámos também os vários tipos de aprendizagem (aprendizagem por transmissão, por descoberta, por mudança conceptual, por pesquisa e por aquisição conceptual), e concordámos que cada indivíduo pode apresentar vários destes tipos em maior ou menor grau, o que vai ao encontro do já discutido no post relativo ao ensino multissensorial.

Esta aula veio alertar-me para a importância de diversificar os métodos de ensino no sentido de atender às necessidades específicas de cada tipo de inteligência, bem como para a importância de enquadrar o trabalho prático, quer apoiando-o numa base teórica, quer orientando-o no sentido da resolução de um problema, para que este não se resuma a uma mera execução de tarefas.

Na aula desta semana foram apresentados vários dispositivos úteis para a integração em sala de aula: o  Quadro Interactivo, o Activote e o Corseware Sere.

O Quadro Interactivo, que veio substituir o tradicional quadro de giz, é um dispositivo que combina um computador e um projector que estão ligados entre si.

O termo Courseware, que combina as palavras ‘course’ e ‘software’ , pretendeu inicialmente, aquando da sua criação, referir-se a kits de educação informáticos pensados para ajudar os professores a complementarem as suas aulas, ou para professores orientadores. Agora, porém, deixou de ser apenas material complementar, podendo referir-se mesmo a cursos inteiros projectados para aulas online, ou aulas presenciais com forte componente informática.

Por fim, o Activote é um dispositivo de votação, em que a cada aluno é fornecido um comando individual para votar.

Todas estas tecnologias, viriam, sem dúvida, dinamizar e tornar mais apelativas as actividades de sala de aula, desde que convenientemente integradas em objectivos pedagógicos definidos. Sobretudo o Quadro Interactivo e o Courseware parecem-me de grande valor educacional, enquanto que o Activote me parece talvez mais acessório.

Porém, existe um grande senão – se bem que no caso do Quadro Interactivo, o seu uso tenha vindo a disseminar-se, como sabemos, nem todas as escolas dispõem deste tipo equipamento ou não têm forma de o adquirir.

O relatório de  Brutland de 1987 , elaborado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, define desenvolvimento sustentável  como “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes  sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir as suas próprias necessidades” e estabelece-o como uma meta para as sociedades actuais. O sucesso deste objectivo – um objectivo a longo prazo – passa, naturalmente, pela sensibilização das gerações mais jovens, pelo que recai sobre as escolas uma grande responsabilidade em todo este processo.

As abordagens a esta temática realizadas na aula estiveram sobretudo direccionadas para o ensino do primeiro ciclo – desflorestação, reciclagem, poluição fabril, … – centrando-se essencialmente em tópicos de educação ambiental. Para o ensino básico e secundário talvez fosse mais interessante explorar abordagens diferentes, nomeadamente uma visitas de estudo a uma estação de tratamento de resíduos de que é exemplo a Central de Valorização Energética da Lipor, na Maia – unidade é responsável pela valorização na forma de energia eléctrica dos resíduos que não podem ser reconvertidos por processos de compostagem e reciclagem. Uma descrição do processo encontra-se no site da Lipor.

Penso que uma visita de estudo deste género poderia ser útil para incutir nos alunos a ideia de que existem de facto soluções sustentáveis de desenvolvimento e de que estas estão já em marcha, e não se cingem apenas a especulações de futuro.

 Durante a aula de TIC desta semana tomámos contacto (no meu caso, pela primeira vez)  com os laboratórios virtuais e discutimos a adequação ou não da sua aplicação a contextos educativos. Concluímos que estes são, de facto,  uma ferramentas de ensino poderosas quando a sua utilização se encontra guiada por objectivos claros e definidos – como por exemplo a resposta a alguma questão-problema (Como determinar a dureza de uma água?), mas que sem uma orientação se podem transformar em apenas mais uma forma de automatizar processos.  Porém, enquanto componentes de uma estratégia de ensino estruturado, os laboratórios virtuais apresentam vantagens importantes tais como

* a possibilidade de  ilustrar explicações do professor que se reportem à aula experimental ou mesmo para simulação de experiências futuras – a ‘pré-realização’ da experiência pode ser importante para suscitar nos alunos dúvidas que uma mera exposição dos passos a seguir poderia não suscitar.

* permitir aos alunos repetirem as experiências das aulas manipulando variáveis como volume/massa dos reagentes, sem dispêndio de recursos.

Por fim, há que salientar que, como qualquer ferramenta, os laboratórios virtuais têm limitações e, no sentido de colmatá-las,  é desejável que estes  sejam utilizados em conjunção com o laboratório real e nunca isoladamente. Por um lado porque ignoram o factor de imprevisibilidade presente nas situações reais (ex: temperatura ambiente) e por outro porque certos passos (medição rigorosa de volumes) não podem ser recriados pela versão informática (digitação do volume).

Dos dois laboratórios virtuais que usámos –  o ChemLab (http://www.modelscience.com/) e o VirtualLab (http://www.chemcollective.org/) – o primeiro pareceu-me mais adequado a alunos do 2º e 3º ciclo porque é de utilização mais simples e intuitiva. Dado o limitado tempo de aula disponível para investir na aprendizagem da manipulação deste tipo de recursos, a complexidade do segundo laboratório pode constituir um entrave à sua exploração.